Faz tanto tempo que nos falamos que eu, sinceramente, não saberia recomeçar a escrever se não tivesse acontecido algo inesperado nesta virada de ano!
Na verdade, no dia da virada nada de tão interessante aconteceu que pudesse ser retratado neste conto. Mas no outro dia, quando passeava pela praia durante a noite, senti aquele olhar me filtrar e seguir enquanto eu caminhava. Nada podia fazer a não ser continuar a minha jornada, com meu corpo atento a qualquer movimento na vegetação oposta ao mar que seguia por quilômetros.
Eu já havia morado com os Elfos das Terras Douradas, ao norte do Lago Encantado. Então, aprendi com eles que às vezes provocar o destino era uma boa forma de conhecer alguém. Sinto-me tentado em explicar como é que funciona a provocação do destino, mas irei deixar isso para outra história.
E foi assim que, andando, eu preparei tudo para que o ente que me fitava aparecesse. Não demorou muito e uma criatura com menos de meio metro, puxando um baú duas vezes seu tamanho em extensão e altura, saiu da mata resmungando algo que não consegui entender. Pela sua roupa peculiar, sapatos pontudos, calça parda, blusa verde musgo de mangas compridas, com um pequeno colete pardo por cima, logo percebi que se tratava de um gnomo.
Como vocês já devem ter ouvido falar que os gnomos são criaturas que guardam seu tesouro com a sua própria vida. Curioso, fui lentamente me aproximando para entender o que ele tanto murmurava. Pensei que caminhava furtivamente, quando fui surpreendido com um grito: - Grandalhão, não venha tão devagar! Não percebe que preciso de ajuda?!
Foi assim que juntos carregamos o baú por um longo percurso. Eu sentia o peso de uma vida inteira contido nele. Fomos até o rochedo perto do mar, o enterramos e só depois de todo esse percurso o gnomo olhou profundamente nos meus olhos e disse: - Muito obrigado, meu caro pernas compridas! Agora, o que eu mais prezo está seguro! Passei grande parte da vida conseguindo todos esses itens e tudo que mais quero é mantê-los a salvo. E quanto a você, já possui o seu tesouro?
Essa pergunta me fez pensar em tudo o que eu gostaria de ter... contemplei as estrelas, o mar e aqueles olhos pretos e profundos que me olhavam interrogativos e respondi: Já encontrei o meu tesouro há algum tempo. Mas o perdi, por minha própria ignorância e falta de compreensão. Foi nesse momento que percebi que o ciúme havia me levado o que tinha de mais precioso.
Agora, sentado perto do mar, voltei a pensar no meu grande amor do passado, que compreendi ser do presente e do futuro. Não sei o motivo de ter voltado para algo que já adormecia em meu peito, mas foi isso o que aconteceu.
O velho gnomo me olhou intrigado. Pegou um cachimbo, o encheu com ervas que trazia em uma capanga ao lado, acendeu-o, deu dois tragos e sacudiu a cabeça negativamente, enquanto coçava o queixo com a mão esquerda. Levantou a cabeça lentamente, olhou para minha alma e disse: - E você não fez nada para recuperá-lo? Nenhuma criatura do mundo pode viver sem ter o que é mais valioso perto de si.
Fiquei adormecido e estagnado por tamanha verdade!
Então, ele se levantou, fez um aceno com a mão e saiu tragando seu cachimbo em direção a floresta densa. Fiquei lá digerindo o que ele havia me dito. Quando percebi, o sol já começara a raiar no mar. Um novo dia surgia e, com ele, nascia uma nova vida, pois eu já me decidira: Iria recuperar o meu tesouro perdido!
Um comentário:
Aff...esse dois dedos de prosa nao ta nem meio...89172631782630128761 anos que ano prosia nda...
hehehe
abraço velho!
Ass.: Frank Muniz
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