Depois de conhecer o mundo dos Elfos é difícil voltar e vagar pelas terras dos humanos. Aqui tudo é sem cor, é uma repetição frenética do cotidiano! Tentava de todas as formas retornar para aquelas terras, mas não conseguia achar o caminho para o Portal, então vaguei por dias e noites perdido!
Já me sentia fraco, quase aceitando aquela realidade inóspita, por mais difícil que fosse isso! Não é fácil ser agraciado com tal dádiva e a perder. Pois é, imagine vocês o que seria, em uma comparação chula, pegar um peixe de aquário acostumado a plantas artificiais e a um espaço pequeno, sem muitas opções e o colocar nos mares do Caribe, com toda biodiversidade e depois, simplesmente, o retirar e devolver para sua prisão aquariana...
Os deuses, com certeza, tinham deixado uma pista de como chegar ao Portal, eu tinha que ter deixado escapar alguma coisa, só não conseguia achar. Então, já sem esperança, fui a uma área afastada e alta da cidade ver o por do sol. Na verdade, fui ouvir a canção dos anjos ao nascer e ao morrer do sol.
Não sei se vocês gostam do crepúsculo, a cor alaranjada no horizonte, a boa sensação que o entoar da canção celestial nos traz. Assim, diante dos meus olhos, vi a chave do Portal! Já conseguia contemplar as torres do velho castelo e o som das harpas e bandolins élficos. É tudo tão belo, tinha voltado ao secreto mundo!
Depois de horas desfrutando cada lugar, encontrei a trilha do lago encantado, lar das ninfas do leste, e aquela areia fina e dourada que conduzia à estrada... Abaixei-me e a toquei. Ela escorreu entre meus dedos. Já ouviram falar das ninfas? Pois mesmo que tenham ouvido, preciso lhes contar mais...
...neste momento ouvi ao fundo chamarem meu nome... virei-me e já estava deitado no sofá em minha casa! Na cozinha, meu irmão me chamava. Olhei para minhas mãos e a areia ainda brilhava por entre meus dedos! Sorri sutilmente e levantei-me para atendê-lo. Agora, a serenidade tomava conta do meu ser, já que havia encontrado a chave do Portal!
Um comentário:
Esse foi mais um grande texto do "Dois dedos de Prosa".
O interessante é que tal mundo élfico descrito pelo autor pode ser entendido como um mundo próprio de cada um. Mundo das belezas, encantos e maravilhas eternas. Mundo que projetamos para burlar, mesmo que mentalmente, a realidade prosaica do cotidiano. Mundo dos amores, dos amantes, das ninfas do leste!! É descrito de forma tão magnífica que nos incumbe o desejo de rumarmos em busca da chave dos nossos portais. Uma busca difícil, porém vantajosa.
Viverei a primavera e as flores com as cores e a beleza das pétalas.
Postar um comentário