quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O Destino em Tinta

De imediato, eu peço ao leitor mais aflito que não continue a leitura se não tem vontade de se perder em uma folha de papel e um lápis.

Digo isso, porque fico por muito tempo contemplando um papel em branco, mesmo com um lápis na mão e com uma idéia fixa no pensamento me sinto como Teseu e seu labirinto. Imagino o que pode ser redigido. Minhas idéias mudam e transmutam, não sei mais o que vou fazer, se vou escrever, se vou desenhar, ou mesmo rabiscar. Aquele pedaço mágico de mil possibilidades poderia resgatar um antigo amor, trazer um novo amor, fazer inimigos ou mesmo amigos, declarar guerras, por fim a conflitos milenares...
Todo poder em um simples pedaço de pergaminho velho!
Olho para os lados e não vejo os restos de papeis amassados, talvez Shakespeare esteja sentindo inveja de não precisar amassar tantos itens mágicos para poder escrever um único conto. E nem por isso essa tela, com a imagem destes novos e modernos ofícios, tipo A4, deixa de ter o mesmo poder da escrita, que teria um tinteiro e um pergaminho.
Não sei bem o que provoca ou emana este poder a um fato imbuído em celulose, ou o que o torna tão real que é capaz de fazer pessoas chorarem, rirem ou sentirem qualquer uma das emoções humanas, ao se deliciarem com o que ali fora forjado, sem fogo ou martelo, mas com pena e tinta. Sinto, quando não mais desejo alterar as palavras de um texto, um sentimento de êxtase que me invade. Só então percebo a plenitude da criação!

Afinal é com tinta e papel que se pode delinear destinos e transformar momentos!