quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Amigos e Tiros.

Acredito que muitos de vocês já devem ter ouvido falar do Festival de Inverno Bahia.

Pois bem, eu sou uma daquelas pessoas que contam os dias para a chegada da festa, não por ser uma pessoa “festeira”, como se costuma falar. Na realidade, quase não vou e pouco gosto de festa com grande aglomeração, mas o Festival é algo totalmente diferente... Possui algo com uma sintonia, que contagia e envolve!

Mas não é basicamente sobre o Festival que quero lhes falar, e sim sobre a história de um grupo de cinco rapazes que estava indo ao Festival e o que lhe aconteceu no percurso.

Naquele dia, três deles combinaram de se encontrar na casa de um amigo em comum, precisamente às 19 horas, mas sabemos da correria do dia-dia. Então, lá pelas 21 horas, eles começaram a chegar, o dono da casa ainda nem se aprontara, pois aguardava os amigos para um “esquente”, nome que eles dão quando se reúnem para beber um pouco, antes de irem para uma festa. Durante o “esquente”, o anfitrião foi surpreendido por um telefonema inesperado. Um colega que pouco conhecia, mas que já havia saído com ele, lhe pedia para se juntar ao grupo e rumarem para o festival juntos. Como era de se esperar, ele concordou com o pedido de imediato.

Acho fundamental que vocês entendam que somente três, dos cinco rapazes, vão ser os protagonistas da história. O que, apesar disso, em nada diminui a importância dos outros dois, pois o destino foi cumprido em cinco, cada um participando em menor ou maior escala, pois se apenas um não estivesse ali, poderia ser totalmente diferente o ocorrido. Quero aproveitar a interrupção para lhes falar que esta história não tem final. Não me questione, pois acredito que não poderia ter fim uma história que sobrevive na mente das pessoas e, como filosofia, não é o nosso foco aqui, irei voltar ao conto.

Onde eu estava... Ah sim, lembrei! Depois de reunido, todo o grupo rumou para o “esquente”, riram bastante, com a presença inclusive de um sexto amigo, que por não fazer parte do destino que se aproximava, foi para sua casa dormir logo após o fim do “esquente”. Não pretendo me alongar com o “esquente”, até porque só durou uma garrafa. Isso, dividido por seis homens, nem pode ser considerado um “esquenta-festa”.

Na saída de casa, algo já aconteceu que os atrasou: uma pessoa apareceu para buscar uma criança que estava hospedada. Após isso, os cinco rapazes seguiram então rumo à esperada festa. Já nas imediações do terreno que iria ser uma escola de enfermagem e onde hoje vários prédios foram erguidos, o celular do anfitrião tocou. Era o seu irmão caçula, de 8 anos, que acordara de supetão e, amedrontado, ligou para pedir que seu irmão mais velho voltasse, para fazê-lo dormir. Entretanto, já ansioso por chegar à festa e pelo adiantar do horário, aproximadamente 23:30, ele pede para a jovem criança ligar a TV e se deitar, enquanto ficaria conversando com ele por telefone. Não sabia o jovem rapaz que, nos 15 minutos seguintes, sua vida e a dos outros quatro estariam por um fio. Mas, até aquele momento, tudo estava tranqüilo. Então, resolveu seguir e ignorou o pedido da criança, portadora do presságio de mau agouro.

No minuto seguinte, todos foram surpreendidos por uma criatura portando uma arma, um revólver calibre 38, para ser exato. O sujeito usava um capacete e uma moto estava parada ao seu lado. Sua primeira frase foi: “Bora, encosta aí [apontando o muro ao lado], todo mundo de joelhos e passando o celular e o dinheiro”. Por alguns minutos, foram todos rendidos e foi tirado deles tudo o que ele conseguiu achar. Felizmente, alguns deles jogaram seus pertences num canteiro com uma grama vasta que se alongava no entorno do passeio onde estavam. A vil criatura, não contente com o resultado do seu golpe resolve, então, lhes roubar os tênis e as blusas. Não se sabe ao certo quanto tempo durou a rendição pela criatura das trevas, mas se sabe que, no momento em que a criatura subiu na moto para fugir, foi atingido por um golpe de um dos cinco participantes da jornada.

Agora fica tão complicado contar a história em minúcia que pretendo me expressar da melhor maneira possível.

Então... Neste meio tempo, dois dos cinco rapazes fugiram, tão rápido quanto as pernas deles conseguiam correr. Os dois restantes foram ao auxílio do que atacou a criatura. Foi uma batalha rápida e traiçoeira. Quem já passou por tempos de guerra, sabe que tudo acontece tão velozmente quanto nossos olhos podem ver. Quando deram por si, a arma já havia disparado cinco tiros. Dois deles, com destino certo. Um atingiu no peito o jovem rapaz de cabelos crespos e pretos, estatura mediana e pele branca. O outro, atingiu no braço, desviando-se para o tórax, o rapaz que tinha recebido a ligação do seu irmão caçula.

É interessante que as maiores proezas da humanidade são feitas em momentos de crise e isso inclui, claro, a evolução humana. Ou melhor. Neste caso, o aprendizado humano. Mas voltando à nossa história: acreditem ou não, como um raio surgindo no céu, apareceu uma viatura da Policia Militar, parando ao lado do ocorrido. Logo, os policiais prenderam o meliante e levou os infortunados para o hospital. Não quero, nem vou me alongar ao ocorrido nos momentos anteriores e seguintes, ou como aconteceu a sequência de telefonemas e fatos que ajudaram a salvar a vida dos dois atingidos. Mas quero dizer que, naqueles momentos, o que todos eles mais odiaram e pensaram em ter feito escolhas diferentes para não ter atingido aquele destino, será, no futuro, o ocorrido de maior elo entre eles. Gostaram de recordar e contar com orgulho e determinação por terem sobrevivido a tal façanha e ensinar aos mais novos uma lição que todos, desde novos já sabem, mas que é valido sempre repetir: Não é digno reagir a um assalto por dinheiro, mas é honroso ficar e lutar quando um amigo precisa de você.

Por fim, como já tinha dito antes, não termino a história, pois não há fim para o mistério da existência! Há um contínuo temporal, que leva a todos para caminhos de felicidade e tristeza, existindo aprendizados em todos eles. Cabe a nós aprendermos a retirar o melhor de todas as experiências, transformando um amargo trago de tormento em um doce e belo aprendizado.

Fim.

Por Paulo Maurício (O rapaz atingido no tórax.)

9 comentários:

Luan Silva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

NOSSA PAULO,LENDO ASSIM COM TANTOS DETAHLES DA IMPRESSAO DE ESTA VENDO A SENA,É MUITO REAL..
MAS GRAÇAS A DEUS QUE ENTRE MORTOS E FERIDOS SAUVARAN SE TODOS.
ELISANGELA SOUZA

Paulo Maurício disse...

Certeza. Graças a Deus!

SENSUAL SER disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

As palavras sempre ficam...
"Se me disseres que me amas, acreditarei, mas se escreveres que me ams, acreditarei mais ainda.
Se me falares da tua saudade, entenderei, mas se escreveres sobre ela, eu a sentirei junto contigo.
Se atristeza vier a te consumir e me contares, eu saberei, mas se a descreveres no papel, seu peso será menor."
...e assim são as palavras escritas:
possuem um magnetismo especial, libertam, acalantam, inovão emoções.
Eas possuem a capacidade de em poucos minutos cruzar mares, saltar montanhas, atravessar desertos intocáveis.
Muitas vezes, infelizmente, perde-se o Autor, mas a mensagem sobrevive ao tempo, atravessando séculos e gerações.
Elas marcam um momento que será eternamente revivido por todos aqueles q ue a lerem.
Viva o amor com palavras faladas e escritas, mate saudades, peça perdão, aproxime-se, recupere o tempo perdido, insinue-se, alegre alguém, ofereça um simples "bom dia", faça um carinho especial.
Use a palavra a todo instante, de todas as maneiras.
Lembre-se sempre do poder das palavras.
"Quem escreve constrói um castelo, mas quem lê, passa a habitá-lo." (Duboc)

Não subestime o valor de uma amizade!!! Beijos

Thiago disse...

" Eu seria capaz de viver sem todos os meus amores, mas não suportaria viver sem meus amigos". (mais ou menos assim rsrs)

Unknown disse...

nossa primo...iago ainda te ligou...fiquei muito arrepiada!!
parecia que eu estava vendo a cena...
ficou muito bom o texto...
beijos
priscila

Unknown disse...

Talvez esse conto tem um fim... virou PINGENTE!!!
rsrs

Katia disse...

Graças a Deus tenho o privilégio de leer esse conto. Mto bem redigido, mais vc é pocado mesmo!!!!!
Agradeço sempre por vc aqui, e estar superando os traumas dessa violencia social desses nossos dias.
Besos, te amo.
Katia